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Rachado, MDB oficializa candidatura de Simone Tebet à Presidência

Após uma série de disputas internas, o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) oficializou nesta quarta-feira (27), em convenção, o nome da senadora Simone Tebet (MS) como candidata à Presidência da República pelo partido, mas ainda com o vice indefinido. O placar para a escolha da senadora foi de 262 a favor e 9 contrários. Foi mais uma convenção eleitoral, em um período iniciado no dia 20 de julho e que se encerra no próximo dia 5 de agosto.

Num evento rachado e boicotado por caciques do partido como o senador Renan Calheiros, Tebet foi escolhida durante eleição virtual. Paralelamente, PSDB e Cidadania, que atualmente compõem uma federação partidária, aprovaram apoio a Tebet em sua convenção.

Na abertura da convenção, a candidata disse que pretende “reconstruir” o Brasil “com coragem e com amor”. Ela espera ocupar um potencial nicho de “terceira via” na disputa que tem sido dominada pelo presidente Jair Bolsonaro e o petista Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar de parte das lideranças do MDB apoiar o ex-presidente Lula, Tebet tem o apoio do presidente do partido, deputado federal Baleia Rossi, que trabalhou pela divulgação de uma nota nacional assinada por dirigentes de 19 estados, expressando o apoio à candidatura de Tebet.

Com o lançamento de sua candidatura, Simone Tebet deve encarar a atmosfera que parece ter determinado o abandono de pré-candidaturas, como a do ex- governador João Dória, e do ex-ministro Henrique Mandetta, que esboçaram projetos políticos de “terceira via”, mas que acabaram declinando diante das pesquisas realizadas.

DIFICULDADES

A performance inexpressiva da candidata nas pesquisas não é o único problema de Tebet. Na convenção desta quarta-feira, ela ainda não conseguiu definir o nome do seu vice na chapa. Pela montagem da chapa, caberia ao PSDB indicar o nome. A expectativa era que o senador Tasso Jereissati (CE) ocupasse o papel, mas ele sinalizou que poderia rejeitar a indicação. Dessa forma, o candidato a vice continua indefinido.

Na semana passada, líderes do MDB de 11 estados declaram apoio a Lula já no primeiro turno, entre eles nomes como o governador de Alagoas, Paulo Dantas, e os senadores Renan Calheiros (AL), Veneziano Vital do Rêgo (PB), Eunício Oliveira (CE) e Edison Lobão (MA), entre outros. O prefeito de Cacimbinhas (MDB-AL), Hugo Wanderley, um aliado de Renan, chegou a pedir na Justiça o adiamento da convenção, mas teve o pedido negado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O histórico de Tebet dentro do MDB também registra um episódio similar. Em 2021, ela se tornou a primeira mulher a se candidatar à presidência do Senado. Inicialmente, foi apoiada pelo seu partido, mas parte da bancada acabou sendo atraída para a candidatura do atual presidente da Casa, Rodrigo Pacheco, que acabou sendo eleito com 58 votos. Tebet, que lançou então uma candidatura independente, recebeu 21 votos.

BARBALHO COM LULA

No Pará, o grupo do MDB representado pelo governador Helder Barbalho e o senador Jader Barbalho se uniu aos demais dirigentes do partido, nacionalmente, e às lideranças petista, e assim declararam apoio à chapa do ex-presidente Lula. A decisão foi oficializada no último dia 18 durante reunião de caciques do MDB, realizada na Fundação Perseu Abramo. Mesmo ausentes, mas representados na reunião, Helder e Jader já haviam visitado Lula, em São Paulo, e manifestado apoio ao petista.

PERFIL DE TEBET

Filha do ex-ministro e ex-senador Ramez Tebet (1936-2006), Simone Tebet tem 52 anos e entrou oficialmente para a política em 2002, quando foi eleita deputada estadual em Mato Grosso do Sul. Entre 2005 e 2010, comandou a prefeitura de Três Lagoas, a antiga base eleitoral de seu pai. Posteriormente, exerceu o cargo de vice-governadora do estado durante a administração de André Puccinelli. Em 2014, foi eleita para o Senado Federal.

Como senadora, votou a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff em 2016 e apresentou um projeto que previa pagamento de indenizações em dinheiro para fazendeiros em áreas que forem consideradas indígenas. O texto foi alvo de críticas de organizações ambientais e de defesa dos direitos humanos e acabou sendo retirado em 2018.

No Senado, Tebet também ganhou destaque por sua atuação na CPI da Pandemia, especialmente durante o depoimento do deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), que tratou de acusações de fraude na compra de vacinas. Na comissão, criticou regularmente a gestão do governo Bolsonaro durante a crise sanitária. Ainda no Senado, também foi a primeira mulher a ocupar a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o colegiado mais importante da Casa.

Com informações do UOL e G1

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