sábado, janeiro 28, 2023
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Quais as chances da esquerda voltar a governar Belém

Por Dornélio Silva*

É possível a esquerda ainda governar Belém? Essa pergunta veio perseguindo o pesquisador com as seguidas derrotas de Edmilson Rodrigues (Ex-PT, hoje no PSOL).

Analisei as eleições de 1996 até 2016 para tentar responder a essa problemática, acompanhando o desempenho dos candidatos que representam esses dois campos de análise nesse período: direita e esquerda. O objeto de análise é o potencial de crescimento desses blocos do primeiro para o segundo turno nas seis eleições analisadas.

Antes de tudo, é fundamental contextualizar a primeira eleição em que a esquerda saiu vitoriosa:

Em 1996, por uma circunstância política, Edmilson Rodrigues, PT a época, ganha a eleição para a Prefeitura da Capital. Nesta eleição a direita saiu dividida no primeiro turno. De um lado Elcione Barbalho e de outro Ramiro Bentes, candidato do então prefeito, Hélio Gueiros.

Os dois (Elcione e Ramiro) travaram uma disputa muito acirrada pelo poder. A briga entre os dois competidores quase foi campal.

A estratégia dos marqueteiros era: “bater, bater, bater…. até sangrar”, assim, imaginavam que o outro poderia cair. Brigaram tanto que, de fato, cairam: os dois despencaram. Ai o eleitor belenense quedou-se para Edmilson, não por simpatia ou por propostas, mas como um voto de protesto.

Analisando pesquisas qualitativas e mesmo as quantitativas da época, uma frase de um eleitor ficou marcada. Perguntado por que iria votar em Edmilson, o eleitor respondeu: “não sei, vou votar pra ver no que vai dar, só não aguento mais esses dois brigando ai”.

Elcione Barbalho disputou com Ramiro Bentes, as eleições municipais de 1996, onde ataques de baixo nível entre os dois candidatos levaram à eleição de Edmilson Rodrigues, o primeiro prefeito da esquerda a governar Belém e até hoje o nome mais forte nesse espectro político-ideológico.

Vamos, agora, a análise dos dados pesquisados a partir do primeiro gráfico que mostra o capital eleitoral da Esquerda e da Direita em primeiro Turno das Eleições.

Em 1996, os votos da esquerda somaram 46,5%, enquanto da Direita, 19,6%. Já em 2000, reeleição de Edmilson, a esquerda soma no primeiro turno 42,9% dos votos contra 30,1% da direita.

Em 2004, Edmilson não consegue fazer seu sucessor, a esquerda obtém em primeiro turno 32,7% dos votos enquanto a direita soma 48,9%.

Em 2008, reeleição de Duciomar Costa, a esquerda cai ainda mais seu potencial de voto em primeiro turno, somando apenas 20,1%, enquanto a direita sofre uma queda, chegando a 35,1%.

Em 2012 e 2016, tanto esquerda quanto direita obtém índices parecidos em votos no primeiro turno.

Gráfico 01: Capital eleitoral da esquerda e direia em primeiro turno

Fonte: TRE/Elaboração própria do autor.

CAPITAL ELEITORAL DA ESQUERDA E DIREITA EM SEGUNDO TURNO

Passamos, agora, a análise dos dados pesquisados em que o segundo gráfico mostra o capital eleitoral da Esquerda e da Direita em Segundo Turno das Eleições.
Nessa linha do tempo, em 1996, a esquerda soma em segundo turno 57,5% dos votos, enquanto a direita 42,5%. Já em 2000 na disputa em segundo turno entre Edmilson e Duciomar, a esquerda cai seu potencial, chegando a 50,7%. A direita avança, somando 49,3%. Na eleição de 2004, a direita avança bem mais, indo para 58,2% e a esquerda para 41,7%.

Em 2008, a esquerda não passa para o segundo. Nessa eleição a disputa de segundo turno foi entre Duciomar e Priante.

Em 2012, a disputa foi entre Edmilson e Zenaldo, a direita obteve 56,6% dos votos, enquanto a esquerda 43,4%. Em 2016, houve uma aproximação no potencial de voto dos dois blocos.

Gráfico 02: Capital eleitoral da esquerda e direita em segundo turno

Fonte: TRE/Elaboração própria do autor

CRESCIMENTO DA ESQUERDA E DIREITA DO PRIMEIRO PARA O SEGUNDO TURNO

O terceiro gráfico mostra o crescimento da esquerda e da direita do primeiro para o segundo turno. Esse é o gráfico que demonstra a probabilidade de vitória de um ou de outro bloco, tendo em vista o poder de agregação que cada categoria vai adquirir no segundo turno.

Em 1996, apesar da esquerda ganhar a eleição, o crescimento da direita foi o dobro do crescimento da esquerda. Edmilson saiu com uma vantagem grande no primeiro turno, como mostra o primeiro gráfico do nosso estudo. Ramiro cresceu 22,9% e Edmilson 11,0%. Em 2000, reeleição de Edmilson, o crescimento da esquerda foi de apenas 7,8%, enquanto a direita cresceu 19,2% do primeiro para o segundo turno. Edmilson ganhou com uma diferença de apenas 1,4% dos votos válidos.

Em 2004, Ana Júlia disputou com Duciomar o segundo turno. O crescimento dos dois blocos foi idêntico. Em 2012, o segundo turno foi disputado entre Zenaldo e Edmilson. Aqui o crescimento da direita do primeiro para o segundo turno volta ao seu maior patamar, 25,9%. A esquerda cresce apenas 10,8%.

Em 2008 a esquerda não passou para o segundo turno. Na reeleição de Zenaldo, em 2016, a esquerda teve seu maior crescimento, 18,3%. A direita caiu para 23,2%.

Estabelecendo a média de crescimento da direita nas eleições analisadas, chegamos a 20,8%; enquanto a esquerda obtém uma média de 11,4% de crescimento do primeiro para o segundo turno.

Gráfico 03: Crescimento da Esquerda e Direita do primeiro para o segundo turno

Fonte: TRE/Elaboração própria do autor

Os dados mostram que Belém é uma cidade conservadora. Em 2020, a disputa ainda vai se dá entre esses blocos. Em 1996, a direita saiu dividida, e Edmilson ganhou a eleição.

Em 2020, o bloco capitaneado por Zenaldo Coutinho que vai indicar seu sucessor, ainda está “esfacelado”, faltando apenas um grande personagem para unir o bloco.

Não será difícil encontrar esse personagem. A esquerda está dividida. Só poderá ter algum sucesso se parte da direita, encampada pelo MDB e máquina do governo estadual, abraçar essa esquerda.

*Dornélio Silva é Mestre em Ciência Política pela UFPA e Diretor da DOXA Pesquisas.

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