terça-feira, fevereiro 7, 2023
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Prefeitura de Salinópolis “patrocinou” R$ 70 mil em produção de Bíblias. Exemplares foram distribuídos em evento com a presença do ministro Milton Ribeiro (MEC), diz Estadão

Matéria de destaque, com chamada de capa, da edição desta segunda-feira (28) do jornal o Estado de São Paulo coloca no centro de nova denúncia o ministro da Educação, Milton Ribeiro. Junto ao chefe da paste, os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura e a Prefeitura de Salinópolis, localizada a 220 quilõmetros de Belém.

Sob o título ‘Bíblia com foto do ministro da Educação foi distribuída em evento do MEC’, a reportagem aponta que a Prefeitura Municipal de Salinópolis, administrada por Carlos Alberto de Sena Filho, mais conhecido como Kaká Sena (PL), teria patrocinado a produção de 1.000 Bíblias ao custo de R$ 70, cada exemplar, e distribuídas em evento religioso ocorrido em julho de 2021, organizado pelo MEC.

A edição religiosa foi feita pela Igreja Ministério Cristo para Todos, em uma gráfica em Goiânia. Os exemplares contam com fotografias do ministro da Educação, Milton Robeiro, e dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, mas trouxe também imagem do prefeito Kaká estampada entre a contracapa e a folha de rosto.

O pastor Gilmar Santos, que comanda a igreja, teve a presença anunciada no encontro de Salinópolis, como uma “autoridade”, sentando à mesa do palco, ao lado de Milton Ribeiro e do presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), Marcelo Ponte, segundo o Estadão.O encontro em Salinópolis que teria reunido prefeitos e secretários municipais do Estado, contou com a presença do próprio ministro Milton Ribeiro e dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, da Igreja Ministério Cristo para Todos. De acordo com que o Estadão revelou, os pastores pediriam propina em barra de ouro e dinheiro em troca de acesso ao ministro e liberação de verba.

No texto assinado pelos jornalistas Breno Pires, Julia Affonso e Renata Cafardo é sustentado, que fotografias oficiais do MEC e vídeos da prefeitura de Salinópolis registraram as Bíblias ainda no plástico nas mãos de convidados e nos assentos vagos. Na semana passada, o jornal O Globo publicou relatos de prefeitos, confirmados pelo Estadão, que disseram ter recebido pedidos de propina de pastores do gabinete paralelo do MEC, na forma da compra de livros, dinheiro para igrejas em troca de liberação de verbas destinadas à construção de escolas e creches.

Construção de escola de R$ 5,8 milhões

O Estadão publicou ainda relato de pedido de pagamento de até 1 kg de ouro para garantir o repasse dos recursos.Após o encontro, o ministro Milton Ribeiro aprovou a construção de uma escola em Salinópolis. Ele firmou um termo de compromisso com a prefeitura no valor de R$ 5,8 milhões, dos quais empenhou, no final de dezembro, R$ 200 mil. O jornal diz que tanto o ministro quanto o prefeito não se pronunciaram sobre a distribuição das Bíblias.

Em vídeo ao qual o Estadão teve acesso, o prefeito Kaká Sena agradeceu ao pastor Gilmar Santos pelo evento. “Obrigado, pastor, por ter me ajudado a chegar neste momento”, disse. “Este momento é um momento ímpar, para que a gente possa  aproveitar e sugar o máximo o MEC, o FNDE”, enfatizou. O prefeito ainda ressaltou que o ministro tinha o “terceiro maior orçamento” do governo.

Defesas

Sobre a reportagem de suposta troca de favores no caso das Bíblias patrocinadas pela Prefeitura de Salinópolis, envolvendo o ministro Milton Robeiro e pastores da Igreja Ministério Cristo para Todos, um ramo da Assembleia de Deus, o chefe da pasta de Educação do Governo Federal se manifestou nas redes sociais.

Em sua conta no twitter e no Instagram, o ministro usou sua conta em uma rede social para se defender, nesta segunda-feira (28). Segundo Ribeiro, ele havia permitido o uso de sua imagem nas Bíblias distribuídas em somente um evento. Nos demais, teriam sido feitas sem sua autorização.

“Em relação aos fatos noticiados no dia de hoje, trago os seguintes esclarecimentos: autorizei em 2021 o uso de minha imagem para a produção de algumas bíblias para distribuição gratuita em um evento de cunho religioso. Contudo, descobri no final de outubro de 2021 que bíblias com minha imagem foram distribuídas em outros eventos sem a minha autorização. Novamente agi com diligência e de forma tempestiva para evitar o uso indevido de minha imagem. Imediatamente, em 26 de outubro de 2021, enviei ofício desautorizando esse tipo de distribuição. Segue documentos comprobatórios”, postou Milton Ribeiro.

Denúncia de Goiás

O prefeito de Bonfinópolis (GO), Professor Kelton (Cidadania), relatou à reportagem que num encontro, no início de 2021, o pastor Arilton Moura pediu R$ 15 mil para custear despesas em Brasília e a compra de Bíblias para liberar recursos do MEC. “Se você quiser contribuir com a minha igreja, que eu estou construindo, faz uma oferta. Você vai comprar mil Bíblias, no valor de R$ 50, e vai distribuir essas Bíblias lá na sua cidade. Esse recurso eu quero usar para a construção da igreja”, disse o pastor, segundo o prefeito. “Fazendo isso, você vai me ajudar também a conseguir um recurso para você no ministério”, relatou. Kelton disse que não aceitou a proposta.

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