segunda-feira, janeiro 30, 2023
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“Precisamos recuperar a Federação Paraense de Futebol” (Ricardo Gluck Paul, candidato à presidência da FPF)

A Seleção Brasileira de Futebol enfrentaria a Seleção da Argentina em jogo amistoso, em Belém, na reabertura do estádio Jornalista Edgar Proença, o Mangueirão, em setembro deste ano. Contudo, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) jogou uma ducha de água fria na pretensão do governador Helder Barbalho (MDB) e deu negativa sob a alegação de que a Federação Paraense de Futebol (FPF) se encontra irregular administrativamente devido a não realização das eleições para escolha da nova diretoria, inclusive presidida interinamente por Graciete Maués, em um mandato “tampão”.

Ricardo Gluck Paul, candidato à presidência da FPF (Cristino Martins / OLiberal)

ELEIÇÕES

A decisão da CBF de não realizar o jogo da seleção brasileira é uma das muitas críticas feitas pelo atual candidato da oposição, na chapa “Unir para Mudar”, Ricardo Gluck Paul, às eleições para a nova diretoria previstas para esta quarta-feira (29), na sede do Pará Clube, em Belém, após seis meses de um imbróglio na Justiça. Ricardo, hoje com 44 anos, nunca escondeu as críticas ao atual comando da FPF e vai para a disputa com o candidato da situação da chapa “Futebol de Primeira”, Paulo Romano.

Já em dezembro de 2021, quando a Federação era comandada, respectivamente pelo presidente e vice-presidente, Adélcio Torres e Paulo Romano, o ex-mandatário do Paysandu já era enfático: “uma das mais atrasadas do Brasil”, referindo-se à administração da FPF. Alguns analistas veem Ricardo Gluck Paul como alguém para simboliza a renovação que o futebol paraense precisa há décadas, e alguém importante para quebrar a alternância do mesmo grupo político que domina a Federação há mais de 30 anos.

ENTREVISTA E A CONTUNDÊNCIA

Nesta terça-feira (28), o programa “Cara a Cara com a Verdade”, comandado por Nonato Pereira, na Rede TV, com a participação do debatedor e jornalista Diógenes Brandão, entrevistou o empresário Ricardo Gluck Paul, ex-presidente do Paysandu e hoje candidato à presidência da FPF. Durante a entrevista, Gluck Paul apresentou os planos e projetos para Federação, caso seja eleito, mas também apontou irregularidades e incompetência por parte da atual gestão.

Caso seja eleito, o empresário afirmou que “desmontará o palanque eleitoral” a fim de administrar a Federação de forma que atenda os interesses dos clubes e ligas desportivas de futebol, que segundo ele, estão à míngua, precisando urgentemente de fomento, incentivo e recursos. “Precisamos recuperar a Federação Paraense de Futebol“, destacou em um trecho da entrevista à Nonato Pereira e Diógenes Brandão.

O QUE ACONTECE NA FPF ?

No início da entrevista, Ricardo Gluck Paul justificou, segundo a opinião dele, o cenário atual da FPF. “Hoje a gente está presenciando uma das maiores vergonhas do futebol paraense. É uma eleição que se arrastou durante seis meses, uma eleição que deveria ter acontecido no segundo semestre (do ano passado)”, disse. Ele ressalta que o grupo atual que detém o poder político e gere a Federação, não quis que um novo grupo aparecesse com novas ideias, e assim teria feito “uma série de ações para atrapalhar essas eleições”.

MANIPULAR OS APTOS A VOTAR

Gluck Paul comentou sobre o “histórico da Federação”. “E a Federação tem um histórico de querer escolher quem vai votar, isso já foi feito em diversas eleições. A Federação tentou fazer isso várias vezes e não conseguiu. O ponto central de toda essa demora era o processo de escolha de quem vai votar”, assegurou.

Sobre o interesse em presidir o órgão máximo do futebol paraense, o candidato justificou embasado em sua atuação pelo time bicolor. “Fui presidente por dois anos do Paysandu. Estou no futebol há mais de 15 anos. No Paysandu fui presidente de todos os poderes do clube”. Ricardo garante que a experiência como comandante de clube e ter vivenciado vários estágios da administração de uma agremiação, o dão condições de pleitear o posto mais alto da FPF.

E, foi justamente na relação do Paysandu com a Federação, que Gluck Paul percebeu a necessidade de uma liderança da entidade na relação com a CBF. “Nunca na história da Federação ela foi presidida por um ex-presidente de clube ou de liga esportiva”, revelou.

POMAR DE FRUTAS MADURAS

Quando perguntado sobre a primeira mudança caso seja eleito, o ex-presidente bicolor disse que pretende ajustar o horário de funcionamento da FPF. “Eu sempre digo que a Federação é um pomar de frutas maduras, porque tem muita coisa que deveria ser feita há muito tempo, está tudo aqui, é só tirar do pé. A Federação é um órgão preguiçoso, ela funciona meio período, das 13h às 18h. Isso não atende às demandas do futebol paraense, de forma alguma. Eu sempre digo isso: gente, vocês precisam trabalhar dois períodos. A primeira coisa que a gente vai fazer, vocês podem ter certeza, é botar a Federação para trabalhar em dois períodos”, afirmou.

DESCENTRALIZAÇÃO

Em seu plano de trabalho, Gluck Paul garantiu que a administração será interiorizada, que subseções em Santarém, Marabá, Tucuruí e na Região do Marajó serão criadas. Diz que vai mudar o estatuto da FPF e desconcentrar a administração, e o “grande desafio, hoje, é recuperar a boa imagem da Federação”. “Ela tem imagem de coisas ruins, coisas atrasadas, coisas retrógradas, a incompetência….”. “Precisamos ser um imã de bons valores”.

Confusões e manobras em processos eleitorais passados foram constâncias registradas anteriormente, segundo Ricardo. O valor de R$ 50 mil do salário da presidente interina Graciete Maués entrou no debate, e sobre isso, o candidato lembrou que o salário divulgado era de R$ 18 mil. Os valores salarias não seria a determinação de se lançar candidato, mas devido o envolvimento com o futebol. “Ontem ela deu uma entrevista dizendo que ganha R$ 30 mil, e não tenho porque desconfiar dela”. “Essa questão salarial mudou de seis, sete meses pra cá”.

“Quem entra no futebol (eu vou entrar até em resenha do futebol): o futebol é uma cachaça, futebol é algo que a gente gosta, tem que ser muito maluco pra gostar de futebol”, justificando o interesse em presidir a Federação, mesmo já tendo uma vida econômica estável. “Não tem glamour no futebol”.

Por que você se mete num negócio desses? Por que você está lá? “Porque a gente ama (o futebol, Nonato) e porque nós temos sonhos extraordinários e o desejo de realizar coisas extraordinárias, e isso movimenta os homens”, declarou. De forma muito incisiva, Ricardo Gluck disse querer ser a liderança do futebol paraense.

LIGAS ESPORTIVAS E O SUPER 17

Diógenes Brandão lembrou das dificuldades enfrentadas pelas ligas de futebol do interior do Estado do Pará. Sobre o assunto, o candidato da oposição disse o seguinte: “Agradeço a pergunta, ela é muito relevante. As ligas estão abandonadas, eu visitei praticamente 100% das ligas, com algumas exceções, nesse último ano e meio. Percorri mais de 14.000 km nesse Estado, conversando com as ligas e o sentimento de abandono é praticamente unânime. Muita gente não conhece, não sabe nem qual é o trabalho das ligas. Resumidamente, em cada município deve existir uma liga, liga é credenciada pela Federação Paraense de Futebol”, disse em outro trecho da entrevista.

São as ligas as organizadoras dos campeonatos municipais e para Ricardo, elas fortalecidas, pode-se criar uma rede para identificação de novos talentos, numa dinâmica que trabalhe o entretenimento, a saúde, mas também o negócio proporcionado pelo esporte. Ele abordou o super 17, projeto que pretende mobilizar os campeonatos municipais organizados pelas ligas, e a partir deles, vai haver um campeão por cidade. “Potencial de mil clubes municipais com atletas abaixo de 17 anos”. A partir das disputas municipais, surgirá um campeão do Estado, o que deve movimentar milhares de atletas infanto-juvenis, renda de ingressos, e a novidade: o aproveitamento de atletas pelos clubes tradicionais do futebol paraense como Remo e Paysandu.

IRREGULARIDADES E A “PROFUNDIDADE AO PRÉ-SAL”

Quase uma dinastia e em plena alternância de poder. Assim Ricardo Gluck Paul apontou a movimentação na FPF que há anos vem sendo encabeçada por Coronel Nunes, o qual já ocupou a presidência da CBF e coleciona processos de irregularidades por corrupção. Nessa articulação política à manutenção do status quo na Federação, atuariam ainda Maurício Bororó, Paulo Romano e Adélcio Torres.

CANCELAMENTO DO JOGO COM OS HERMANOS

Nonato Pereira e Diógenes Brandão abordaram o não menos polêmico tema do cancelamento do jogo entre Brasil e Argentina, anunciado pelo governador Helder Barbalho (MDB). O candidato da oposição disse que o governador “está corretíssimo” em se manter neutro no processo eleitoral da FPF. “E quem disse que tem o apoio, está mentindo”, reforça. Gluck Paul avaliou as oscilações do campeonato paraense em função da gestão da FPF, o patrocínio do governo estadual por meio do Banpará e o sofrimento de alguns clubes ao se deslocarem até Belém para jogarem.

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