sexta-feira, junho 2, 2023
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O bolsonarismo venceu?

As cenas que assistimos neste domingo, mostram que o bolsonarismo não foi derrotado nas urnas e que seguirá gerando caos e desordem, em busca de seus objetivos, entre eles, subverter o Estado Democrático de Direito, questionar e tentar derrubar as instituições do Estado, pregando o predomínio das Forças Armadas, com o fechamento do Congresso e do STF, buscando trazer Bolsonaro de volta ao poder. Delírio? Pode ser, mas é isso que eles querem e dizem que vão lutar até o fim.

O bolsonarismo mostrou, mesmo sem a presença do seu líder e inspirador, que tornou-se uma perigosa e ameaçadora ceita, que compõe a direita brasileira com tentáculos que vão muito além do que as instituições brasileiras imaginam ou acham que poderiam lidar. 

Setores da imprensa, como a Rede Globo, passaram a chamar os “manifestantes” daquilo que eles realmente se transformaram: Golpistas e terroristas.

Com a falta de reação dos setores democráticos e do aparelho do Estado, o bolsonarismo foi se consolidando na mente de operários, servidores públicos, empresários, fazendeiros, vendedores abulantes, jornalistas, juízes, etc.

Ou seja, contaminou a sociedade brasileira, que já era conservadora e propensa a rejeitar conceitos e valores que a esquerda não consegue debater com clareza e nem penetrar na consciência das massas, hoje disputada por igrejas, sobretudo as neopentecostais.

Sem adentrar na profundidade dos conceitos que a Ciência Política pode nos ajudar a compreender o status quo brasileiro, ninguém pode alegar que fomos pegos de surpresa com os ataques que ocorreram na capital federal, neste histórico domingo (08), o segundo do ano de 2023, uma semana após Lula subir a rampa que muitos diziam que ele não subiria.

Mesmo sabendo que há muitas bravatas neste meio doentil do bolsonarismo, qualquer pessoa sã e antenada nas movimentações que ocorrem no Brasil – sobretudo em Brasilia – saberia prever que uma hora ou outra, essa horda de fanáticos iria dar início à guerra que prometiam fazer.

Antes da virada do ano, três carros e cinco ônibus foram queimados durante os atos de vandalismo ocorridos em Brasília, na noite da segunda-feira (12). Os atos foram deflagrados por bolsonaristas radicais, no centro da capital.

De lá pra cá, as forças policiais do Distrito Federal, comandadas pelo secretário de Segurança Anderson Torres, um dos homens de confiança de Jair Bolsonaro – o qual foi seu Ministro da Justiça e Defesa – cumpriram à risca o plano que permitiu que as falanges bolsonaristas oriundas de diversas partes do país, chegassem novamente à praça dos Três Poderes e adentrassem, destruindo tudo que fosse possível, tanto no Congresso Nacional, quanto no Palácio da Alvorada e no Supremo Tribunal Federal.

As sedes oficiais dos três poderes do Estado Brasileiro foram cruelmente destruídas, com as bombas humanas, alimentadas e armadas nos últimos anos por uma “liberdade de expressão” que se utilizou de frases como “Deus, Pátria e Família” para simular um amor à pátria, para “livrar” o Brasil do “comunismo”. 

Foi com essa narrativa, diluída em uma enorme indústria de notícias falsas e teorias da conspiração, alimentando o ódio ao PT, à esquerda e o medo do comunismo ser implantado no Brasil, que a direita alimentou essas falanges que pregam uma espécie de “guerra santa” e promente levar esse levante golpista “até o fim”.

As cenas de policiais militares escoltando os fascistas (que até ontem eram carinhosamente chamados de “manifestantes”, pela maioria dos profissionais e empresas de comunicação), em direção aos seus alvos, somaram-se às demais imagens que chegavam aos nossos celulares e depois às emissoras de TV, onde mostram cenas da mais pura barbarie.

Um video gravado por um destes bolsonaristas, mostra o momento em que um policial militar da calavaria do DF foi derrubado e linchado por aqueles que se dizem patriotas e pessoas de bem. 

Ao chegarem nas dependências das principais instituições do Estado Brasileiro, muitos do que pedem intervenção militar, não pouparam sequer as fotos dos ex-presidentes, entre eles, os que estiveram à frente do executivo, durante o período da Ditadura Militar.

Com a Intervenção Federal decretada pelo presidente Lula, aqueles que ainda defedem o Estado Democrático de Direito podem acionar os dispositivos constitucionais para investigar, prender e julgar os golpistas que deflagraram a mais ousada tentativa de golpe já praticada no Brasil. 

Após o mundo assistir as imagens com o resultado das invasões aos prédios das instituições brasileiras, onde o vandalismo alcançou níveis terroristas, fascistas utilizam as redes sociais para negar que os ataques aos símbolos da democracia brasileira não partiram de grupos bolsonaristas e sim de pessoas infiltradas pela esquerda brasileira. Quanta cara de pau! 

Tal narrativa segue a lógica infame que marca o despertar da extrema direita brasileira, que elegeu centenas de deputados e senadores, os quais estarão legislando e utilizando seus mandatos e suas imundades parlamentares para continuarem arregimentando cada dia mais, outros golpistas ao encanto do fascismo, que encontrou neste país, um clima perfeito para proliferar. 

"Os golpistas bolsonaristas sempre foram tratados com carinho pelos militares e demais forças de segurança. Puderam se organizar com tranquilidade, escolher a data adequada para agir e transformar Brasília num vexame internacional.", disse André Petry, diretor de redação da revista piauí.

No momento em que finalizo este artigo, sou informado da seguinte decisão:

Sobre a provocação no título deste artigo é apenas uma constatação de que o ex-presidente que não conseguiu se eleger, após um mandato de quatro anos, subverteu a ciência, os ritos democráticos, a ética pessoal e política, mas sobretudo, ameaçou e ignorou os principais princípios que nossa jovem democracia acumulou nestas décadas pós-ditadura militar e que deixou ovos que continuam sendo chocados, até o dia em que o fascismo seja desnudado e seus preceitos expostos em praça pública ou em textos e matérias de quem finge não saber o nome do que vivenciamos com o bolsonarismo, seja nas ruas, quanto nas redes.

Até lá, vamos continuar vendo Bolsonaro e sua gangue vencer e contaminar outras mentes.

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