sexta-feira, janeiro 27, 2023
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Helder Barbalho, a democracia e o mercado eleitoral em 2022

Por Edir Veiga*

Segundo a perspectiva racional, o jogo político é retratado como a luta competitiva pelo poder onde os políticos seriam os empresários e o eleitor seriam os consumidores de políticas públicas.

Até aí tudo certo, acontece que os eleitores/consumidores só podem fazer escolhas constrangidos pela oferta de produtos presente na arena eleitoral/mercado eleitoral(candidatos fortes).

O exemplo mais estarrecedor da falta de oferta de produtos no mercado eleitoral se dá nas disputas para o governo do estado do Pará, onde basicamente não temos candidatos competitivos para enfrentar o governador incumbente.

E sabem porquê? porque o ator principal, o governador Helder Barbalho usou seu poder político e administrativo e impediu a emergência de candidatos e coalizões antagônicas. Não, não foi pelo convencimento, foi pela força dos instrumentos de poder, produzindo uma coalizão máxima, agrupando da direita até a esquerda, ou seja, nada de programática tem esta aliança.

Do ponto de vista legal está tudo certo, mas do ponto de vista político é um desastre para a cidadania, pois não poderá dispor de alternativas programáticos com densidade eleitoral.

Assim, o mercado eleitoral está oligopolizado por uma única força política, que contém um nome competitivo e com força partidária e administrativa. A oposição não dispõe de um nome competitivo e nem uma coalizão partidária de peso.

No passado recente, na Democracia de 1946, os adversários gostavam de testar suas forças nas urnas, hoje pratica-se a antipolitica, hoje prefere-se remover os grandes adversários no famoso “tapetão”, na política invisível, no subterrâneo.

Quanto mais candidatos competitivos mais perspicaz os eleitores/consumidores vão se tornando: só se aprende votar, votando.

A educação política exige pluralidade, tolerância e convivência de contrários, esta é a essência da competição democrática.

Em 2022 teremos uma eleição morna, onde apenas um candidato, por falta de competidor a altura, deverá ter enorme vantagem sobre um opositor, que parece um anão eleitoral. Será uma eleição sem graça.

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*Edir Veiga é possui graduação em Odontologia pela Universidade Federal do Pará (1983), especialização em Odontologia pelo Associação Brasileira de Odontologia (1995), mestrado em Ciência Política (Ciência Política e Sociologia) pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (1999) e doutorado em Ciência Política pela Universidade Cândido Mendes (2004). Atualmente é Professor Adjunto da Universidade Federal do Pará, Professor Adjunto III desta. Professor Doutor da Faculdade Integrada Brasil Amazônia e Professor de nível superior da Escola Superior Madre Celeste. Tem experiência na área de Ciência Política, com ênfase em Comportamento Político. Atuando principalmente nos seguintes temas: SISTEMA PARTIDÁRIO, SISTEMA ELEITORAL, VOLATILIDADE ELEITORAL.

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