segunda-feira, janeiro 30, 2023
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Estudantes do RJ arrecadam R$ 29 mil e ajudam a levar luz a escola no Pará; Saiba a cidade

Estudantes de um colégio do Rio de Janeiro arrecadaram R$ 29 mil em recursos para a colocação de painéis solares em uma escola do Pará. A ação solidária permitiu a instalação de um sistema fotovoltaico que beneficiou cerca de 140 pessoas, com idade entre 5 e 18 anos, do povo ribeirinho.

Cerca de 20 estudantes participaram da ação. Juliana Lima, assessora de Projetos Sociais e Voluntariado do Colégio Santo Inácio, explica a Ecoa que a ideia de ajudar a Escola Municipal Nossa Senhora de Fátima, da comunidade Anã, em Santarém, no Pará, veio justamente da dificuldade que eles estavam vivendo há mais de um ano por não terem acesso à energia elétrica.

Por causa disso, conta ela, não havia uso de geladeira, impressora e coisas do dia a dia de uma escola. Tudo isso estava indisponível desde a queima do último gerador. Como essa alternativa das placas solares se apresentou como uma opção viável para muitas instituições e residências na região ribeirinha do Pará, a escola percebeu a oportunidade e apresentou a proposta do projeto de arrecadação para a instalação dos painéis solares.

“Os estudantes ficaram sabendo da dificuldade da escola por meio dos educadores da formação cristã. Tínhamos um colega que trabalhava com a gente no colégio, e a diretora da escola, em uma conversa com ele, expôs a situação toda. A partir disso, nós abraçamos a causa e apresentamos uma proposta. Tivemos que articular com uma empresa de Santarém, que está acostumada com essa infraestrutura em comunidades ribeirinhas, e combinamos para que chegássemos juntos ao local”, disse Juliana.

Todas as compras necessárias foram combinadas com antecedência para que, quando a equipe chegasse à comunidade, todos os materiais para a obra estivessem lá.

“Nossos alunos são uma escola tradicional da zona sul do Rio de Janeiro, acostumados a terem uma ótima estrutura. Então, ao chegarem a uma comunidade com recursos muito limitados, o choque foi grande. Eles assistiram a aulas sem mal conseguir enxergar nada, por conta da falta de luz, viram salas de aula feitas de piaçava, mas também enxergaram que é possível fazer muito pela educação mesmo com poucos recursos”, destacou.

Juliana considerou o impacto vivido pelos estudantes positivo. Ela conta que os jovens viram concretamente o que pode ser feito quando muitas pessoas se unem em torno de uma causa comum. Todos voltaram para casa muito tocados pela experiência, disse a assessora.

“Novas ações solidárias estão sendo planejadas constantemente. É algo que faz parte da pedagogia marciana, que faz parte dessa espiritualidade que sempre impulsiona o outro a ir além, a doar-se um pouco mais”.

Renata Godinho é a diretora da Escola Municipal Nossa Senhora de Fátima, no Pará. Ela conta que a unidade de ensino está aberta desde 1958. Atualmente, explica a diretora, a escola funciona no período matutino e vespertino, com alunos do pré-escolar (de 4 a 5 anos), Ensino Fundamental I (de 6 a 10 anos), Ensino Fundamental 2 (até 16 anos) e Ensino Médio.

“Já no dia da instalação, conseguimos realizar um sarau para confraternizar com o Colégio Santo Inácio e o sorriso estampado no rosto dos alunos dizia tudo. Fazia mais de três anos que não realizávamos uma noite cultural por conta da falta de energia elétrica”, contou a gestora.

Ela lembra que os professores tinham que mudar a metodologia de ensino em muitas das aulas por não ter condições de se manter em sala. Lá, ressalta, os moradores enfrentam seis meses do ano com chuvas todos os dias no período da manhã. Isso, em muitos casos, torna impossível para o professor dar aula.

“Eles realizavam atividades fora de sala, jogos pedagógicos, etc. Mas, ainda assim, em alguns dias os alunos tiveram que ser liberados. Temos aproximadamente 150 alunos, do Ensino Infantil ao Ensino Médio, e 20 funcionários. O prédio necessita urgentemente de uma reforma. O governo municipal nos confirmou que irá realizá-la, mas disseram que não vão construir quadra esportiva, algo necessário para a educação física dos alunos”, informou.

Nathália Costa, aluna da 1ª série do Ensino Médio, explicou que, para conseguir arrecadar o dinheiro, o grupo criou diversos lanches solidários feitos na própria escola, com alunos de vários anos. “A gente vendeu pipoca e brigadeiro em sessão de cinema, mas como o valor era alto e a gente tinha pouco tempo para arrecadação.

O Santo Inácio completou com o que faltava, e agora, nesse pós-viagem, estamos elaborando novos projetos para adquirir todos os recursos para recuperar a diferença que o colégio anteriormente custeou”, disse.

“A experiência de estar na Amazônia, uma das florestas de maior biodiversidade do mundo, e poder ter contato diário com a natureza, é transformador. Foi extremamente tocante ver o quão felizes todos os moradores da comunidade de Anã são. E faz muito a gente pensar nas nossas próprias realidades, nas nossas trocas e no nosso dia a dia, que normalmente é tão corrido. O tempo lá corre diferente. A troca de olhares é muito forte, muito presente. E as crianças, depois das aulas, tomam banho de rio, pulam do trapiche.

Com informações do UOL

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