terça-feira, junho 6, 2023
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Deputado paraense retira assinatura e CPMI do 8 de janeiro tem dia decisivo

Contra todos os fatos, fotos, vídeos e investigações já realizadas, a oposição insiste na tese de que teria sido o próprio governo federal e o PT que teriam cometido atos antidemocráticos, no início do ano. O senador paraense Zequinha Marinho (PL/Bloco Vanguarda) é um dos co-autores do requerimento e se defende dIzendo que são fake news, as informações que circulam nas mídias digitais de que ele negociou com Lula a retirada da assinatura.

A oposição ao governo Lula pressiona para instalar nesta terça-feira, 18, uma CPMI para investigar a denúncia de que foram o PT e o próprio governo federal os responsáveis pelo vandalismo e a baderna generalizada, ocorridos em 8 de janeiro de 2023, na Praça dos Três Poderes, em Brasília, chamados de atos terroristas, pelo STF.

Agora

Deputados federais da oposição que pressionam pela abertura da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar os atos criminosos do 8 de janeiro forçaram a entrada na reunião que acontece nesta terça-feira (18) entre o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e líderes partidários. A “invasão” ocorreu há poucos minutos, no início da tarde de hoje, 18.

A reunião é restrita aos líderes, mas eles acabaram conseguindo entrar. O encontro está decidindo, neste momento, a leitura do requerimento que pede a criação da CPMI. A etapa é necessária para o início dos trabalhos. Governistas tentam adiar a sessão do Congresso em que o requerimento da CPMI seria lido e oposicionistas pressionam pela realização.

Entenda

Congressistas leais ao ex-presidente Jair Messias Bolsonaro acusam o ministro Flávio Dino e o próprio Lula de atentarem contra o Estado Democrático de Direito, para imputar a culpa aos seguidores do candidato derrotado à reeleição para presidente da República.

Deputados federais e senadores que defendem a instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, como Zequinha Marinho, presidente do PL/Pará e co-autor do requerimento de criação da CPMI, percorrem os corredores em busca de assinaturas. Eles dizem que as forças federais de segurança e a PM do Distrito Federal teriam sido aconselhadas a deixar o circo pegar fogo, para que a imagem do ex-presidente e seus seguidores ficasse ruim perante a opinião pública.

Expectativas de instalação da CPMI

Até a tarde desta segunda-feira, 17, o pedido contabilizava o apoio de 192 deputados federais e de 37 senadores, número bem maior que os 171 deputados e 27 senadores, necessários para a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI). Por se tratar de uma CPMI, a instalação é automática após a coleta desse quantitativo mínimo de signatários. Caso ela não tenha o número suficiente de apoiadores, não será instalada nesta terça-feira, 18 de abril, ao meio dia, na sessão do Congresso Nacional, conforme anunciou Zequinha Marinho em suas redes sociais.

A leitura do requerimento vem sendo adiada por mais de três meses pelo presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), enquanto o governo ainda ensaia um último boicote à CPMI. Lideranças governistas articulam apressadamente a retirada de assinaturas do pedido de instalação da CPMI.

O contrassenso

Até o momento, não há nenhum indício que corrobore a teoria absurda de que os atos que visavam a abolição violenta do Estado Democrático de Direito teriam algum amparo do governo, que aliás era alvo de tais barbáries. Também não há elementos que indiquem a possibilidade de que haveria petistas infiltrados entre os criminosos que destruíram violentamente as sedes dos três poderes.

Assim sendo, de que Lula tem medo? A tal CPMI não travaria as principais pautas do governo que são: reforma tributária e novo arcabouço fiscal. Inclusive os partidos de centro mantém negociações com o governo para aprovar as duas propostas. Os dois maiores blocos de parlamentares na casa (com 170 e 140 parlamentares cada), já deixaram claro que não irão fazer oposição sistemática ao governo e as duas pautas são de interesse da maioria do Congresso Nacional.

Se os principais articuladores governistas souberem fazer um bom trabalho político, conseguem fazer deste limão uma limonada… doce doce feito mel. É fácil colocar a cúpula das forças armadas no centro da confusão em Brasília. E a base governista possui bons parlamentares que saberiam fazer os questionamentos que virariam o jogo, fazendo o feitiço bolsonarista virar contra os feiticeiros.

Basta trazer à tona o comprovado envolvimento de militares de alta patente do Exército na proteção aos baderneiros, como veremos a seguir.

Generais bolsonaristas protegeram manifestantes

Uma Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara Legislativa do Distrito Federal ouviu, em março, o coronel da Polícia Militar do Distrito Federal, Jorge Eduardo Naime. Em um depoimento bombástico na CPI dos Atos Antidemocráticos, ele afirmou que houve resistência do Exército para efetuar prisões no acampamento de extremistas em frente ao Quartel General, depois dos atos do 8 de Janeiro. O militar informou que participou da operação para desmobilizar o acampamento dos extremistas, entretanto, a polícia foi impedida de entrar no local por uma linha de choque do Exército. “Tinha uma linha de choque do Exército com blindados, e eles não estavam voltados para o acampamento, eles estavam voltados para a PM, protegendo o acampamento”, disse o coronel.

A hora da verdade

Seria um grande serviço prestado pelo Congresso Nacional à democracia e à história do Brasil, esclarecendo tudo, tintim por tintim. Toda a verdade viria à tona se a CPMI fosse instalada, e talvez esta perspectiva possa levar os signatários do requerimento para sua instalação a retirarem o apoio. Ao todo, oito deputados já recuaram depois de ter assinado o requerimento. Um deles é o paraense Olival Marques (MDB). Os demais são Junior Lourenço (PL-MA), Max Lemos (Pros-RJ), Célio Silveira (MDB-GO), Detinha (PL-MA), Josimar Maranhãozinho (PL-MA), Chiquinho Brazão (União-RJ) e José Nelto (PP-GO).

ATUALIZAÇÃO

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, atendeu pedido do presidente Lula e acaba de adiar a sessão do Congresso Nacional, marcada para hoje, que tinha na pauta a leitura do requerimento de criação da Comissão Mista Parlamentar de Inquérito sobre os atos de 8 de janeiro. O adiamento para 26 de abril garante ao governo mais uma semana para tentar desmobilizar a CPMI 8J. Até agora não se sabe porque Lula faz tanta questão de esvaziar a CPMI da oposição.

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