quarta-feira, junho 7, 2023
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“Bicicletas de luxo” com valor total estimado em R$ 90 mil são recuperadas e receptador é preso por policiais civis

Na sexta-feira (19), dia em que se comemorou o Dia Nacional do Ciclista, policiais civis da Seccional da Sacramenta prenderam em flagrante delito Alex Valério Sousa de Souza, apontado como um dos maiores receptadores de bicicletas de alta performances de Belém. Segundo a Polícia Civil, com ele foram recuperadas quatro bikes e o quadro de uma outra bicicleta. Uma arma de fogo ilegal ainda foi encontrada na posse do criminoso, o qual deve responder também por falsificação de documentos.

Bicicletas recuperadas. Elas foram roubadas há quatro meses de dentro de um condomínio localizado no bairro da Cremação (Reprodução redes sociais)

R$ 90 MIL E CASA DE PARENTES

Estima-se que as bicicletas recuperadas estejam avaliadas em cerca de R$ 90 mil, segundo o delegado Artur Nobre, diretor da Seccional da Sacramenta. Alex Valério estaria infiltrado em grupos de ciclismo, uma forma de avaliar as melhores bicicletas. Parte do produto do roubo estaria na casa de parentes e sendo comercializadas com o uso recibo falso. Uma segunda pessoa chegou a comprar uma das bicicletas, mas devolveu com a chegada da polícia. Ele alegou ter sido ludibriado pelo oportunista.

Os chassis de identificação das bicicletas chegaram a ser adulterados. Uma das bikes pertencia a um juiz de direito. Alex já se encontra custodiado em uma unidade do sistema penal à disposição da Justiça.

Em atividade recente, o acusado pelo crime de receptação qualificada chegou a participar de passeios e programações com outros ciclistas. (Reprodução Redes Sociais)

ROUBOS DE BICICLETAS

Coincidência ou não, os adeptos da “magrela” denunciam mais delitos na cidade, especificamente casos de assaltos na capital e restante da área metropolitana. Os números só têm crescido. Denise Amanajás é fisioterapeuta e há quase cinco anos está à frente do grupo Pedal & Saúde. A desportista diz que em julho, Belém registrou 18 ocorrências de roubos de bikes, dado que não reflete à realidade devido as subnotificações.

Alex Valério aguarda a manifestação da Justiça. Ousado, ele foi ganhando a confiança dos grupos a fim de estudar a qualidade das bicicletas. (Reprodução)

Um levantamento feito pelo grupo de Denise e outros, como o Pará Ciclo, apontam que os assaltos para o roubo de bicicletas ocorrem praticamente em toda a área metropolitana.

Denise e um grupo de amigos que têm enfrentado problemas de assaltos em pontos da cidade como o Portal da Amazônia. (Foto – Reprodução)

JOÃO PAULO II E PORTAL DA AMAZÔNIA

“Os números de roubos não refletrem a realidade, pois tem muita gente que não faz a ocorrência e outras pessoas que têm seguro, optam por não registrar. Os casos têm ocorrido no Portal da Amazônia e em trechos da avenida João Paulo II”, conta Amanajás. Naquela avenida às proximidades da avenida Júlio César, são muitos os casos registrados.

Um rápido descuido é suficiente para perder o patrimônio para a bandidagem, que não dá trégua nos roubos. (Imagem – Facebook)

MODUS OPERANDI E TIROS

A prisão daquele que é considerado o principal receptador de bicicletas de alta performances, em Belém, é um exemplo da realidade vivida pelos amantes do pedal. Os integrantes dos grupos de WhatsApp revelam a forma de atuar dos criminosos no momento das abordagens. “Eles têm atacado no descuido dos donos das bicicletas, mas sobremaneira com o uso de motos, quando dois atuam e chegam a derrubar os ciclistas. Os marginais levam a bicicleta na garupa da motocicleta”, relata Denise. Nos grupos de Facebook são registrados casos de pessoas que fraturam o braço no momento da violenta abordagem dos assaltantes. Tiros já teriam sido disparados contra os condutores das bicicletas na avenida João Paulo II.

PÁGINA BICICLETAS ROUBADAS

Muitos são os grupos e as formas de integrar as pessoas que mantêm a atividade do pedal. Dentre vários, o grupo Pedal & Saúde é um deles, e possui de 20 a 30 pessoas, que costumam se exercitar na capital e algumas vezes fora dela. Diante da necessidade de divulgar o problema de roubo de bikes, criou-se no Facebook a página Bicicletas Roubadas, espaço destinado a divulgar casos de roubos e furtos, além de dicas de segurança. No final de julho, os vários grupos de ciclcistas decidiram iniciar um mapeamento de áreas de grandes ocorrências como forma de servir de alerta. O trabalho prossegue.

Página do Facebook criada por integrantes de grupos de ciclismo. O objetivo é manter um canal de divulgação de produtos roubados e dicas de segurança. (Reprodução)

ALERTA – LOCAIS MAIS CITADOS EM JUNHO E JULHO

Dentre os locais citados em comentários na página Bicicletas Roubadas estão travessa Lomas Valentinas, Cidade Nova 8, São Brás em frente ao Mercado, avenida Duque de Caxias, travessa Teófilo Conduru (em frente ao Líder Canudos), avenida João Paulo passando a avenida Doutor Freitas e rua 20 de Fevereiro, no bairro do Guamá.

SOCIAL E MALHA CICLOVIÁRIA

O Dia Nacional do Ciclista entrou para o calendário nacional em 2018 e surgiu, pela proposta aprovada pelo Congresso Nacional, diante da necessidade de levar mais segurança no trânsito aliado à criação de políticas públicas de garantia à mobilidade social a todos.

Na capital paraense, o atual prefeito Edmilson Rodrigues (Psol) vem se propondo a implementar ações benéficas à mobilidade urbana direcionada aos ciclistas. No último dia 18, o gestor esteve reunido com a superintendente executiva de Mobilidade Urbana, Ana Borges, com a promessa de expandir a malha cicloviária da capital, e também proporcionar projetos a estudantes que dependem da bicicleta como meio de transporte.

A meta da Prefeitura de Belém é implantar mais 30,62 quilômetros, alcançando as avenidas Generalíssimo Deodoro, Magalhães Barata, José Bonifácio (da Mundurucus até a Bernardo Sayão) e Tavares Bastos (da Almirante Barroso até a João Paulo II)(Foto – Agência Belém)

Até agosto de 2022, a administração municipal aponta que já ampliou a malha cicloviária em 12,39 km. Foram contempladas as avenidas Norte/Sul no conjunto Promorar, Almirante Tamandaré, Dr. Freitas (entre as avenidas Senador Lemos/Almirante Barroso), travessa São Francisco, ruas Dr. Assis, Carneiro da Rocha e do Arsenal e Portal da Amazônia.

CAPITAL NACIONAL DAS BICICLETAS?

Também foi apresentado o planejamento de expansão até dezembro deste ano. A meta é implantar mais 30,62 quilômetros, alcançando as avenidas Generalíssimo Deodoro, Magalhães Barata, José Bonifácio (da Mundurucus até a Bernardo Sayão) e Tavares Bastos (da Almirante Barroso até a João Paulo II). “Queremos transformar Belém na capital nacional das bikes. Fazemos a manutenção e também criamos as ciclofaixas. É direito do cidadão, que vai trabalhar ou se divertir, usar com segurança um sistema cicloviário”. 

ESTUDO MOSTRA BELÉM NA 15ª POSIÇÃO COM UMA MÉDIA DE 7,73 KM ((PARA CADA 100 MIL HABITANTES)

Até que a capital paraense chegue a um mínimo aceitável de condições satisfatórias do trânsito de ciclistas, considerando vias adequadas à circulação do tipo de veículo, Edmilson Rodrigues deverá estar atento a estudos bem realistas, assim como maior parte das capitais. Em junho deste ano, a Aliança Bike divulgou um levantamento sobre a estruturação de malhas ciclovias e ciclofaixas nas capitais brasileiras. A constatação é de que 55% das capitais não têm nem 100 quilômetros de estruturas implantados.

O Brasil tem apenas 4.146,38 quilômetros de ciclofaixas e ciclovias, realidade considerada péssima pelos dados apresentados no estudo. São Paulo, Fortaleza, Rio de Janeiro e Brasília são as capitais que têm feito a diferença. Dentre as 27 capitais, Belém surge na 15ª colocação com uma média 7,73 km (para um grupo de cada 100 mil habitantes) e em 8ª posição quando considerado os 116,5km disponíveis aos ciclistas atualmente apresentados no levantamento da Aliança Bike.

A turística Fortaleza ainda é uma das poucas capitais brasileiras que mantêm uma boa mobilidade urbana voltada aos ciclistas, juntamente com Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo. (Foto – Prefeitura de Fortaleza)

São Paulo desponta com 699,2 km de ciclovias e ciclofaixas, seguida por Brasília, com 475 km. Rio de Janeiro vem com 450 km; Fortaleza, com 411 km; e Salvador, com 308,59. Em último lugar é Macapá, com apenas 18 km; seguido por Porto Velho, com 24 km; e Manaus, com 35 km.

“A média de 153 quilômetros por cidade é um dado de causar vergonha e indignação, tendo em vista a demanda histórica das cidades brasileiras com todos os ciclistas”, critica a Aliança Bike (Foto – Aliança Bike)

OPINIÕES

Os entrevistados pelo Portal Diógenes Brandão dizem que ao mesmo tempo que a cidade de Belém apresenta vias com espaço para ciclistas, criticam por outro lado, quando lembram de problemas como justamente da falta da expansão das ciclovias e ciclofaixas. Bancário na capital, Edvaldo Leite, 47, ressente-se de fiscalização da Semob nos espaços destinados aos ciclistas. Junto com a esposa, ele costuma pedalar grandes distâncias em Belém e no interior.

“Apesar de Belém possuir uma boa malha viária, interligando vários bairros, uma das maiores preocupações, além de assaltos, são as infrações cometidas por motociclistas ou motoristas. Não vemos uma fiscalização constante nas principais vias nos horários de pico, como na Avenida João Paulo, no trecho da Lomas até a Antônio Baena”, avalia. “Já presenciei carros estacionados também nas faixas destinadas as bicicletas precisamos sensibilizar os condutores principalmente os de moto que o espaço é para a bicicleta, para o ciclista”, disse.

Edvaldo Leite e a esposa Denise praticam o ciclismo em Belém e cidades do interior. (Foto – Arquivo pessoal)

O técnico de enfermagem Ewerton Farias, 32, morador do bairro do Jurunas começou a se locomover de bike em 2019, e intensificou devido à pandemia. “Tinha o risco de contágio através do transporte público, e pelo valor da passagem de ônibus que aumentou absurdamente nos últimos anos, eu passei usar só a bicicleta”, disse o jovem que trabalha numa clínica cardiológica localizada em São Brás. “Eu vou pra todo lugar de bicicleta”. “Com certeza faltam mais ciclovias e respeito de motoristas. As vezes a gente vê motociclista nas ciclovias, até ônibus próximo delas, e isso causa um pouco de insegurança”, reforça.

“Eu vou pra todo lugar de bicicleta”, diz o técnico em enfermagem, morador do Jurunas, que se desloca até São Brás em duas rodas. (Foto – Reprodução WhatsApp)

Paulo Mendes, 38, enfrenta grandes deslocamento com a sua bicicleta e sempre procura se informar sobre os problemas relacionados à mobilidade urbana. “Acredito que tu vai ouvir o mesmo dos outros. Precisamos de mais respeito por parte de pedestres, os proprios ciclistas e motoristas”, opina o autônomo.

Paulo Mendes durante prática esportiva. Para ele, tudo começa no respeito entre os que integram o trânsito, inclusive o ciclista. (Reprodução)

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