terça-feira, setembro 27, 2022
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AÇÃO DA CIDADANIA leva cestas de alimentos e busca ajuda para ribeirinhos

“Realizada na manhã desde domingo, 09, a entrega de cestas básicas para os ribeirinhos da ilha de Arapiranga em Barcarena, que é uma região onde existe um centro explorador e exportador de commodities minerais. Mas toda essa riqueza mineral é levada para fora do estado e do país, ficando a pobreza e a miséria, atingindo principalmente a população ribeirinha que mora nas ilhas. O pólo industrial de Barcarena desde sua fundação no final da década de 1970 tem nos últimos anos impactado o meio ambiente na região com inúmeros desastres ambientais. A atividade de hoje foi efetivada pelo redator publicitário Diógenes Brandão e teve o apoio do Comando do Grupamento Fluvial da Polícia Militar do Pará”, relatou José Oeiras, coordenador da ONG “Ação da Cidadania” no Pará.

AÇÃO CONTRA A FOME DURANTE A PANDEMIA

A entrega das cestas básicas atendeu ao pedido de Jaiciane Martins Rodrigues, 19 anos, uma jovem mãe da ilha que durante a gravidez de seu segundo filho – hoje com 12 dias de nascido – pediu ajuda para alimentar a família e ter o enxoval para a criança.

A chegada à ilha de Arapiranga foi feita por uma lancha do Grupamento Fluvial de Segurança Pública, ligado ao Comando da Polícia Militar do Pará, que além da embarcação ofereceu 3 policiais para a missão solidária.

Lá, da orla do rio até a comunidade, não há pontes e todos que entram e saem da ilha, precisam se arriscar como um equilibrista em cima de troncos de árvores que servem como rua, já que não há qualquer infraestrutura por parte do poder público e tudo é resolvido com o esforço dos próprios moradores.

Em visita à ilha, Diógenes Brandão conversou com a comunidade e ouviu seus apelos e de volta à Belém idealizou o projeto S.O.S Irapiranga, que busca levar além de alimentos, esperança, organização, renda e formação profissional aos moradores da ilha.

FALTA TUDO

No ato de entrega das cestas de alimentos, os moradores da ilha de Arapiranga reclamaram do abandono por parte dos governos federal, estadual e municipal.

Além de não existir luz elétrica, não há água potável, muito menos saneamento. O único equipamentos públicos existentes são uma escola, que só atende crianças até a 5ª série do ensino fundamental e um pequeno posto de saúde. Os funcionários desta unidade básica de saúde trabalham de segunda à sexta, das 08h ao meio-dia.

Os moradores da ilha de Arapiranga receberam as cestas de alimentos e esperam que o poder público e outras instituições e empresas ajudem-os a superar as dificuldades impostas pelo abandono da comunidade.

“Aqui você só pode adoecer ou se acidentar pela manhã e nos dias úteis, pois se precisar de atendimento médico fora desses dias e horários, não tem”, revela indignada uma moradora da ilha do Arapiranga.

Na ilha de Arapiranga, por exemplo, o peixe e o camarão estão cada vez mais escaços, talvez por conta da contaminação dos rios pelos inúmeros acidentes ambientais que despejam, na maré, no ar e no solo da região, toneladas de produtos químicos poluentes.

A extração do açai ainda é a única forma encontrada pelos ribeirinhos para ganhar algum dinheiro, mas o período da entresafra acaba reduzinho muito a produção e acaba fazendo com que muitas pessoas passem fome e vivam com o mínimo para sua sobrevivência.

S.O.S ARAPIRANGA

A próxima visita à comunidade ribeirinha da ilha de Arapiranga já está sendo planejada para dar início ao Projeto S.O.S Ribeirinhos, que primeiro realizará uma busca ativa e o cadastros das famílias que residem na ilha. Com os dados dos moradores, a coordenação do projeto fará a visita a órgãos governamentais em busca por políticas públicas, afim de garantir acesso à cidadania e dignidade humana dos cidadãos paraenses que moram naquela ilha. O projeto piloto visa efetivar conquistas para a comunidade, servindo de exemplo para outras iniativas como essa, nas demais ilhas da região, priorizando as ilhas de Belém, Ananindeua e Barcarena.

Entre os objetivos desta ação está a identificação dos principais problemas que atingem as comunidades ribeirinhas e levar ajuda humanitária, neste momento em que a pandemia da COVID-19 acerta em cheio a vida dos mais pobres.

A coleta de alimentos será reforçada com a busca de parceiros para obter além de comida, roupas, brinquedos, livros (para uma biblioteca comunitária a ser montada), material de higiene, de limpeza e tudo que for possível arrecadar junto à doadores.

ORGANIZAÇÃO, TRABALHO E RENDA

Além da doação, a iniciativa busca organizar a comunidade em uma Associação de Moradores da Ilha com o objetivo de concentrar ideias e reivindicações para juntos, todos lutarem pelas políticas públicas que não existem na localidade.

Além das parceria com empresas e governos, por emprego e renda, vamos buscar a formação dos moradores com cursos e oficinas de capacitação profissional para jovens e adultos; encaminhamentos para vagas de emprego e estágio, além do acesso aos programas de inclusão social, segurança alimentar entre outros.

A ORIGEM DA CAMPANHA

Fundada pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, a Ação da Cidadania nasceu em 1993, formando uma imensa rede de mobilização de alcance nacional para ajudar 32 milhões de brasileiros que, segundo dados do Ipea, estavam abaixo da linha da pobreza.

Criada no auge do Movimento pela Ética na Política, a Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida se transformou no movimento social mais reconhecido do Brasil. Seu principal eixo de atuação é uma extensa rede de mobilização formada por comitês locais da sociedade civil organizada, em sua maioria compostos por lideranças comunitárias, mas com participação de todos os setores sociais.

Para ajudar, bastar entrar em contato com a coordenação estadual da ONG Ação da Cidadania pelo email: contatoacaopara@gmail.com ou pelo número (91) 99839-0088.

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P.S: Agradecimento especial ao apresentador Joaquim Campos pela intermediação junto ao Coronel Cavalcante, Comandante do Batalhão de Policiamento Fluvial, que ajudou cedendo a lancha os cabos Luis e Oliveira e o soldado Agnei, assim como ao meu vizinho Mauro Borges, empresário que ajudou a levar as cestas de alimentos até o porto de onde foram embarcadas as cestas de alimentos doadas.

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3 COMENTÁRIOS

  1. Sua atividade foi relevante socialmente e comprova uma característica importante da sua pessoa, sua sensibilidade e preocupação com as pessoas excluídas socialmente. Parabens pelo ato de humanidade!

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