sexta-feira, junho 9, 2023
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A FUNTELPA como moeda de troca na política do “toma lá dá cá”, do governo Helder Barbalho

A informação que recebemos ainda na semana passada foi confirmada hoje pelo Diário Oficial do Estado: a nomeação do ex-deputado estadual Miro Sanova (PDT) como presidente da FUNTELPA. Alguns veículos de imprensa divulgaram a nomeação como um prêmio de alto valor político que o governador Helder Barbalho teria oferecido a mais um dos seus aliados, tratados como súditos, que ao receberem seu “pedaço de poder”, aceitam ficar em silêncio e obedientes aos ditames da família que hoje controla a imensa maioria da classe política e da imprensa paraense.

Muito enxame, por muito pouco

O que há de especial nessa troca no comando da FUNTELPA?

Para contemplar Miro Sanova como presidente de uma autarquia, já que este talvez não tenha ainda cacife político para assumir uma secretaria de Estado, o governador Helder Barbalhou passou a caneta e exonerou o até então presidente da FUNTELPA, Hilbert Nascimento, mais conhecido por Binho, que foi rebaixado para uma diretoria, ocupada antes pelo jornalista Abílio Martins, que a partir de agora se encontra desempregado.

Comentários que passaram a circular pelas redes sociais, e que foram postados em alguns blogs, tentam dar uma valorizada no cargo de presidente da FUNTELPA, como se isso vá dá alguma força para que Miro venha enfrentar novamente a disputa pela prefeitura de Ananindeua. Entre a classe política, a autarquia é um dos espaços apontados como menos disputados por quem tem pretensões de fazer política eleitoral usando a máquina pública: poucos DAS, contratos amarrados pela “torre” e, pra piorar, uma emissora de rádio, uma tv e um portal, que têm sido usados de forma panfletária chapa branca, desvirtuando seu papel de veículos educativos, como manda a legislação que criou a Funtelpa.

AS BRAVATAS ELEITORAIS

Quem acompanha de perto a política paraense e conhece Miro Sanova, deve se lembrar que ele passou de junho a setembro de 2020 batendo no peito e dizendo que estava com “sangue nos olhos” e que tinha um grupo de “Pitbulls”, que iria pra cima e venceria as eleições pela prefeitura de Ananindeua.

Leia também: Miro Sanova diz estar com sangue nos olhos e que terá pitbulls ao seu lado

As bravatas não duraram 3 meses, resultando na desistência do pretensioso cidadão que, segundo é sabido em Ananindeua, vive uma vida de playboy em um condomínio de alto padrão, de onde tentou voos mais altos em 2022, mas não conseguiu se eleger deputado federal.

Para muitos de seu próprio partido, ao se candidatar para uma cadeira de deputado federal, Miro acabou atrapalhando os planos do presidente estadual do seu partido, o ex-deputado Giovanni Queiroz que também disputava uma cadeira na Câmara Federal e, assim como Miro, não conseguiu se eleger.

Embora publicada com ares de renovação administrativa e de uma suposta “bombada” em seu parco portifólio, a nomeação de Miro para a FUNTELPA não foi sequer comentada por parte dos jornalistas paraenses, nem mesmo pelos raros que poderiam se manifestar publicamente sobre o novo “chefe”.

Em seu site, a jornalista Dedé Mesquista destacou:

Existe a informação de que Sanova teria formação acadêmica na área de comunicação e seria publicitário, mas não se tem notícia da atuação dele nesse segmento.

A resposta pode vir do fato que Miro, um aliado histórico de Heldissss, não se elegeu na eleição de 2022.

Outro fato gritante: Miro Sanova, além de provavelmente não entender lhufas de comunicação pública ou privada, quebra um longo histórico de que presidentes da Funtelpa foram pessoas que são do segmento jornalístico, como Mauro Bonna, Francisco Cesar, Regina Lima, Ney Messias Jr., Adelaide Oliveira e o próprio Binho.

Denúncias – A ida de Sanova para a Funtelpa configura o que se convenciona chamar “pá de cal” na situação terrível pela qual os servidores dessa entidade estão passando. As denúncias vão desde as perdas de direitos adquiridos pelos servidores concursados, perdas salariais, assédio moral, à transmissão desastrosa dos jogos do Parazão 2023, pelo YouTube da TV Cultura, que tem uma coleção de palavrões e palavras de baixíssimo calão ditas no ar para quem quiser ouvir.

No Dia do Jornalista, dia 7 passado, o Sindicato dos Jornalistas do Pará – Sinjor-PA – fez uma postagem nas redes sociais mostrando os problemas infligidos aos servidores da Funtelpa.

Mais denúncias – Este site recebeu algumas denúncias que só ratificam o que o Sinjor-PA já mostrou.

Veja o que mostram as denúncias:

 a situação na Funtelpa está um descaso. Desvalorização profissional, desrespeito, assédio moral, são só alguns dos pontos. Sem contar que a atual gestão, parece que odeia os concursados e faz de tudo para que eles desistam de seus cargos – para colocarem mais indicações deles e de outros nesses cargos.

 O Sinjor-PA tenta um acordo coletivo com a Funtelpa desde 2021, a direção foge, nega, não responde, enfim, faz de tudo para dificultar o acordo.

 Com isso, eles [diretoria] suspenderam todos os direitos que foram garantidos no acordo coletivo anterior. Suspenderam o pagamento do quinquênio, que era o único aumento salarial regular que tínhamos – 5% a cada cinco anos de trabalho – e que deveria ter sido pago em 2021.

 Suspenderam o pagamento de adicional noturno, que é um direito contido na CLT, e negaram as licenças sem vencimento aos servidores concursados.

 Em contrapartida, são impostas escalas de trabalho absurdas, com viradas de horário – já houve escala em que um funcionário ficou quase 24 horas em um evento, sem pagamento de adicional noturno ou hora extra. Em muitos eventos externos longos, não são disponibilizadas água e outras infraestruturas.

– A linha editorial virou agenda de Governo do Pará, sem levar em conta a função social da emissora como a TV pública educativa que é.

– Há vários cargos por indicação política, em sua maioria, com pessoas que fazem assédio moral fortíssimo. Se instauro um clima nas redações nos qual o funcionário tem que fazer o que o chefe quer “e pronto”, mas mandado assim, nesse tom.

 Promoção sem ser por competência, mas sim por indicação ou por ser um rostinho bonito legal para a televisão. Uma servidora, por exemplo, é graduada em Direito e estava como assistente administrativa, mas foi promovida a comentarista de jogos do Parazão 2023, por ficar bem no vídeo, enquanto isso, há jornalistas esportivos supercompetentes na geladeira.

– Já houve demissões arbitrárias e de forma abusiva, somente porque o funcionário “não puxou o saco o suficiente” do presidente.

 Profissionais da imprensa passando por tudo isso por estarem sem alternativa, já que o atual Governo está com a imensa maioria dos veículos de comunicação do estado do Pará nas mãos. O medo de perseguição ou de perder o emprego impera.

– A Cultura é uma emissora pública educativa, mas essa função “educativa” se acabou com a transmissão dos jogos do Parazão 2023 com o perfil Futebol Zueiro pelo canal do YouTube da TV Cultura. No domingo, 9, na transmissão de Clube do Remo x Paysandu, o convidado do Futebol Zueiro na transmissão foi o indigitado deputado estadual Bob Flay, e de onde saíram as pérolas “pau no c* de quem não gostar”; “Paysandu vai se f*d*r”; “O time do Remo tava com o c* aberto esperando r*l*” e outras entre pior e ruim.

A situação é essa em uma emissora que sempre prezou pelo bom jornalismo e que é exemplo para o Brasil inteiro.

Mais mudanças? – As últimas informações dão conta que as mudanças ainda não terminaram. Fala-se que Vanessa Vasconcelos pode estar deixando a direção da TV Cultura, e que para o lugar dela seria nomeado o jornalista Álvaro Borges, que atualmente é diretor de jornalismo da RBATV. A conferir! Pelo menos, Borges é jornalista e entende muito bem de televisão e comunicação.

Ao contrário de Miro Sanova que, dizem, está assumindo esse cargo público, em uma forma de compensação de Heldissss para com ele e que ficaria nesse cargo apenas o tempo da eleição municipal de 2024 e viria como candidato à Prefeitura Municipal de Ananindeua.

Leia também:

As antenas da FUNTELPA que o governo do Pará pagava para a Tv Liberal/Globo usar

As acusações de OLiberal sobre esquemas de corrupção envolvendo prefeitura e empresários

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